Marketing de esperança ou planejamento?



"A verdade de cada coisa é única e pertence a cada coisa". (Samael Aun Weor) Mesmo assim, algumas coisas dividem algumas verdades. Isso reflete, em parte, meu entendimento sobre planejamento.

O sucesso da economia de uma grande empresa, da economia domiciliar, do transito das grandes cidades ou do percurso de uma viagem de férias tem uma verdade comum: O bom PLANEJAMENTO. O assunto é amplamente abordado em diversas literaturas modernas, mas é tão antigo quanto a civilização, prova disso está no best seller A Arte da Guerra, de Sun Tzu, escrito há quase 25 séculos. Mesmo assim, muitos empreendedores deixam de lado a prática do bom planejamento e praticam o chamado "marketing de esperança", lançando-se ao mercado assim, com uma boa ideia e boa vontade, desconsiderando as variáveis do meio, como os concorrentes, o real público consumidor (suas necessidades e comportamento), as estratégias de comunicação, entre tantas outras.

Planejar (superficialmente) é como fazer um bolo. Para preparar um bolo é necessário dinheiro, uma receita, conhecimento  para encontrar e adquirir os melhores ingredientes, um forno e, principalmente, habilidade e competência para manipular tudo isso. O sucesso de um negócio também requer uma boa receita. Os ingredientes do planejamento são as informações e é preciso saber como e onde consegui-las, além de uma boa dose de discernimento para saber se estas informações são válidas (sério, por aí há muitas falsas informações, informações inadequadas ou até mesmo "vencidas"). Dai vem a questão da habilidade, adquirida através da prática e da competência que consiste em saber dosar estes ingredientes. Tanto um simples bolo de fubá quanto um complexo bolo de aniversário ficarão perfeitos se os ingredientes tiverem as doses certas e forem manipulados adequadamente.

Planejar poupa dinheiro, tempo e esforços e consiste em mapear e moldar as unidades de negócios e produtos (tangíveis e intangíveis) da empresa, almejando o crescimento em vendas e/ou lucro.

Para se planejar de forma adequada, é necessário conhecer o próprio negócio e ter consciência do ambiente em que ele se encontra, além  de boas doses de disciplina, pesquisa, imaginação, boa vontade e flexibilidade. Todo planejamento deve ter suas ações, e recursos (humanos, financeiros, logísticos e etc) muito bem detalhados. Nosce te ipsum, em bom português, Conheça a ti mesmo, essa máxima milenar é o segredo do sucesso, temos que saber quem somos, de onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Há alguns passos básicos para este autodescobrimento:
  • Missão: A finalidade de qualquer produto é satisfazer às necessidades humanas. Um carro satisfaz a necessidade de locomoção e outras, como conforto, economia, sofisticação, autoimportância e etc. Então, o primeiro passo é saber todas as necessidades que seu produto satisfaz.
  • Análise do produto: A matriz BCG é uma das mais usadas, considera o investimento versus o faturamento, os índices de participação e desempenho no mercado.
  • Análise do Ambiente: Há vários métodos de análise de ambiente, porém, ao meu ver, a mais simples e eficaz é a análise SWOT, que mede Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças
  • Estabelecimento de Unidades Estratégicas de Negócios: Define muito bem quais serão os produtos a serem oferecidos, para quem será oferecido e quais são seus concorrentes;
  • Planejamento de Novos Negócios: Uma vez estabelecidas as unidades estratégicas de negócio, amplie seus horizontes, fique atento às necessidades dos consumidores e gere produtos que as satisfaçam;
  • Tudo muda: Não se prenda a uma situação, fique atento ao que ocorre em seu redor (Quem ainda fabrica filmes para câmeras fotográficas ou fitas para máquinas de escrever? Estes já foram mercados muito lucrativos, certamente ainda há quem faça estes produtos, mas seu público é cada vez mais estreito e restrito)

Um planejamento pode ser de curto ou longo prazo, dependendo da necessidade e deve ter clareza, foco, concordância entre as partes envolvidas e também deve ser realista e quantificado. Além disso, deve ser periodicamente analisado para ver se está atingindo seus objetivos e quais mudanças serão necessárias.


As grandes corporações ou grandes marcas não chegaram onde estão por acaso, algumas nasceram pequenas como a LEGO, que nasceu em um fundo de quintal ou a Apple que nasceu numa garagem, o que os definiu como referências em seus mercados foram suas estratégias e o conhecimento de si mesmas e de seus respectivos ambientes. O Sebrae realiza anualmente um estudo sobre a sobrevivência das micro e pequenas empresas no Brasil, o estudo publicado recentemente indica que quase 25% dos pequenos empreendimentos falem antes dos 2 anos de vida e que quase 50% antes dos 5 anos de vida Um dos principais motivos da mortalidade das pequenas empresas é o marketing de esperança, é a falta de conhecimento ou de planejamento e eis aí o grande divisor de águas. Vamos planejar?

Grande abraço e obrigado pela atenção.

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